Túlia Tolgaraus
Eis um livro que destruiu a minha
vida. Desculpe-me introduzir a discussão de maneira tão drástica, mas é a
verdade. Comprei este livro por que uma amiga minha disse “Ah! É tão lindo...”
e, como estava precisando ler algo novo, não titubeei.
Logicamente tenho vários elogios: o
autor brinca com as palavras com tanta familiaridade que nos leva para dentro
das cenas com facilidade; o leitor sente cheiro das comidas típicas, ouve sons
e imagina-se dentro das casas dos personagens, andando pelas ruas e trajando as
vestes afegãs.
Com a mesma naturalidade que descreve
lugares, Rosseine narra as emoções e transformações físicas das pessoas,
firmando-se como um dos principais escritores de nossa época.
Entretanto, diferentemente dos
romances americanos água-com-açúcar, O Caçador de Pipas tem a letal dose da
realidade capaz de destruir a alma humana.
Quem assistiu o filme, e não foi meu
caso pois não tive coragem, não experimentou a real história do livro: um
retrato do que a covardia e a deslealdade de uma jovem criança pode fazer na
vida de várias pessoas.
Para ser sincera, chorei diversas
vezes ao ler o livro, de ódio e de tristeza. Quando terminei, queria mandar um
e-mail para o autor perguntando se ele era o protagonista, e se o fosse,
nossa... eu estava preparada para dizer-lhe as piores coisas do mundo! A raiva
passou e meu lobo da estepe (ver referência) se acalmou, mas até hoje, lembrar
da história me causa mágoa.
O Caçador de Pipas está longe de ser lindo.
Tecnicamente é perfeito e irretocável, mas a história é intensa e dolorida,
explorando sentimentos de submissão, amizade, deslealdade e a pior das traições
humanas, aquela perpetrada contra uma pessoa que daria a vida por nós.

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