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Livros

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O caçador de Pipas (Khaled Rosseini):




Túlia Tolgaraus
Eis um livro que destruiu a minha vida. Desculpe-me introduzir a discussão de maneira tão drástica, mas é a verdade. Comprei este livro por que uma amiga minha disse “Ah! É tão lindo...” e, como estava precisando ler algo novo, não titubeei.
Logicamente tenho vários elogios: o autor brinca com as palavras com tanta familiaridade que nos leva para dentro das cenas com facilidade; o leitor sente cheiro das comidas típicas, ouve sons e imagina-se dentro das casas dos personagens, andando pelas ruas e trajando as vestes afegãs.
Com a mesma naturalidade que descreve lugares, Rosseine narra as emoções e transformações físicas das pessoas, firmando-se como um dos principais escritores de nossa época.
Entretanto, diferentemente dos romances americanos água-com-açúcar, O Caçador de Pipas tem a letal dose da realidade capaz de destruir a alma humana.
Quem assistiu o filme, e não foi meu caso pois não tive coragem, não experimentou a real história do livro: um retrato do que a covardia e a deslealdade de uma jovem criança pode fazer na vida de várias pessoas.
Para ser sincera, chorei diversas vezes ao ler o livro, de ódio e de tristeza. Quando terminei, queria mandar um e-mail para o autor perguntando se ele era o protagonista, e se o fosse, nossa... eu estava preparada para dizer-lhe as piores coisas do mundo! A raiva passou e meu lobo da estepe (ver referência) se acalmou, mas até hoje, lembrar da história me causa mágoa.
O Caçador de Pipas está longe de ser lindo. Tecnicamente é perfeito e irretocável, mas a história é intensa e dolorida, explorando sentimentos de submissão, amizade, deslealdade e a pior das traições humanas, aquela perpetrada contra uma pessoa que daria a vida por nós.

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